Cid Gomes negocia retorno ao PSB
O ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação Cid Gomes enviou emissários para negociar com o PSB o seu retorno à legenda. Desde que deixou o ministério da Educação há dois meses, em meio a uma crise entre governo e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, Cid está desconfortável no PROS. Os deputados Leônidas Cristino e Domingos Neto, ambos do PROS do Ceará, já fizeram as primeiras consultas e constataram resistências. O vice governador de São Paulo, Marcio França, por exemplo, é contra o retorno de Cid. Quem também resiste ao movimento do ex-governador é o principal nome do PPS, Roberto Freire, que negocia a fusão da sua legenda com o PSB.
Se Cid Gomes conseguir ir para o PSB, o seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, também vai junto. Cid e Ciro deixaram o PSB em outubro de 2013 porque discordaram da decisão do partido de apoiar a candidatura do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em agosto do ano passado, ao Palácio do Planalto em oposição à presidente Dilma Rousseff.
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Governo 'constrange' PSB para enfraquecer Campos, diz líder na Câmara
Líder da bancada do PSB na Câmara dos Deputados, o gaúcho Beto Albuquerque é um fiel aliado do governo Dilma Rousseff no Congresso. Nos últimos meses, à medida em que o principal nome do seu partido, o governador Eduardo Campos (PE), começou a ensaiar a candidatura à Presidência da República, Beto Albuquerque notou que a relação com o governo federal mudou. Lideranças do PSB, especialmente prefeitos e governadores, têm retornado de Brasília com as mãos vazias. "Todo prefeito, todo governador tem de fazer investimentos. Aí o negócio demora, não assina, não libera...", disse o deputado. Pelo menos três governadores do PSB - Camilo Capiberibe (AP), Cid Gomes (CE) e Renato Casagrande (ES) são contra o voo de Campos. Mas, para Beto Albuquerque, a base do PSB quer o contrário: "O PSB não é um partido que decide por cúpula ou por capa preta. O PSB tem base política e social, 90% do partido deseja ter um candidato". Leia a entrevista ao site de VEJA.
Lideranças do PSB realmente não querem a candidatura do Eduardo Campos à Presidência?
Tem gente no nosso partido que demonstra certa preocupação com a candidatura e com as implicações nos estados, o que eu considero natural que ocorra nessa época. Mas o partido, no momento certo, vai tomar uma decisão em convenção. E quando decidir o jogo vai estar jogado.
A candidatura Eduardo Campos é um projeto do partido ou desejo pessoal do governador de Pernambuco?
O PSB não é um partido que decide por cúpula ou por capa preta. O PSB tem base política e social. Noventa por cento do partido deseja ter um candidato: os movimentos sociais, juventude, mulheres, movimento popular, movimento sindical, LGBT... São movimentos que têm se posicionado muito claramente em muitos estados pelo desejo de o partido ter protagonismo.
Que peso a posição dos governadores Camilo Capiberibe, Cid Gomes e Renato Casagrande e do ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), contrários à candidatura de Campos, pode ter na decisão do PSB?
Há um grau de constrangimento de muitos gestores nossos em relação ao dedo do governo, à interferência do governo federal. O Brasil tem o pacto federativo às avessas, o governo federal tem tudo na mão: poder, caneta, Orçamento. É evidente que prefeito ou governador se sente constrangido a essa altura do campeonato, ou até ameaçado se tomar certas posições. Tem muito companheiro nosso que andou falando por em adotar o jogo do me engana que eu gosto: 'Se o governo quer ouvir que eu sou contra, então tá, eu sou contra'. Só para não criar ruído na relação federativa. O lamentável disso tudo é que dinheiro público do BNDES ou do Orçamento não é do governante, é do povo. Então não tem que ter condição nenhuma. Mas pelo visto tem algumas figuras que acham que tem. A presidente Dilma não compactua com esse tipo de coisa, mas ela vai ter que olhar para dentro do governo, porque tem muita gente falando em nome dela.
Até que ponto isso é só conversa de integrantes do governo com os gestores do PSB? Quando passa a ser pressão?
As coisas, para o PSB, não estão andando normalmente. Muitos de nós estamos nos sentindo constrangidos. Inclusive lideranças nossas que deram entrevistas. É melhor entrar no jogo do me engana que eu gosto do que dizer a verdade para não ser frustrado nos seus projetos. Temo muito quando tem gente que acha que é dono do dinheiro público.
O senhor pode citar algum exemplo?
Todo prefeito, todo governador tem de fazer investimentos. E, hoje, para fazer investimento você tem que botar não o pires, mas o prato na mão e ir lá atrás de financiamento. Aí o negócio demora, não assina, não libera. Quer dizer, o constrangimento fica implícito, não é?
O senhor pode citar um caso específico?
É algo que sentimos. Agora, quanto mais nos constrangerem, mais convicção teremos para continuar nossa caminhada. Não é um ministério aqui ou ali que vai substituir nossa linha ideológica e política. Verbas e cargos não são ideologia.
E a ideia é sair ou continuar na base da presidente Dilma?
Se tivermos candidato vamos sair a tempo de ela entender, não vamos ficar no governo, evidentemente. Mas vamos tomar essa decisão na hora certa. Agora, se continuar esse nível de constrangimento, daqui a pouco não precisa nem ter candidato para pensar nisso. Não estamos fazendo nada de errado. Estamos exercendo o protagonismo de um partido que cresceu e tem o governador com melhor taxa de aprovação do país. Eduardo Campos é uma das cinco lideranças políticas do Brasil. Estamos exercendo nosso direito. Que mal tem nisso? Ou será que o ministro Joaquim Barbosa tem razão de que partido aqui é só de faz de conta? Partido que existe e não disputa nem concorre a nada porque tem medo de perder verba é o que, se não um partido de faz de conta? Não somos um partido de mentirinha.
O governador da Bahia Jaques Wagner, petista, disse a VEJA que 2018 seria o ano ideal para a candidatura de Campos. Concorda?
Nós não acreditamos nisso. Nem em município isso acontece, imagina numa disputa presidencial. Não existe 2018 sem 2014, tampouco existe no horizonte do PT qualquer experiência já vivida ou propósito de entregar o seu espaço para alguém, seja no presente, seja no futuro. Tem uma fila de dez no PT querendo tentar a presidência em 2018. Inclusive o Jaques Wagner.
Fonte:
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/governo-constrange-psb-para-enfraquecer-campos-diz-lider-na-camara
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Crescimento e Independencia do PSB Parte I
Estamos de volta após o Periodo eleitoral. E começamos pelo 1º Turno e apresentamos essa reportagem da Agencia de noticias Globo
Entre prefeitos e vereadores eleitos no primeiro turno, desponta um grande vitorioso destas eleições municipais. Com cerca de 8,6 milhões de votos, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi a legenda que mais cresceu em número de prefeituras, abrindo caminho para assumir um papel protagonista na disputa presidencial de 2014. Levando em conta apenas o resultado do primeiro turno, o partido conquistou 432 prefeituras, contra as 310 alcançadas na eleição de 2008. Em duas capitais, dois virtuais candidatos de oposição na futura corrida presidencial tiveram papel decisivo na vitória de seus apadrinhados políticos: em Recife, o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, elegeu seu candidato, Geraldo Julio; e o tucano Aécio Neves comemorou ao lado do prefeito eleito Márcio Lacerda (PSB) a conquista de Belo Horizonte. Ambos os resultados romperam com um histórico domínio petista nas administrações municipais: na capital pernambucana, foram 12 anos; na mineira, 20.
- O PSB está se colocando como uma alternativa ao PT. O interessante é que onde ele cresce, o PT não. Não tem espaço para os dois - analisa Ricardo Caldas, cientista político da UnB.
A tendência de que o partido alcance um protagonismo nacional, entretanto, parece inevitável. Nas últimas eleições para governador, o PSB conquistou a administração de seis estados, sendo cinco deles no Nordeste.
- O PSB já vem avançando desde 2010, quando conquistou diversos governos, como Ceará e Paraíba. Isso mostra que o partido começa a ganhar musculatura a nível nacional e vai ter alguma influência nas negociações para 2014, mesmo que Eduardo Campos não saia candidato - aponta Ricardo Ismael, cientista político da PUC-Rio.
Além do PSB, apenas o PT e o recém-criado PSD elevaram o número de prefeitos eleitos em relação a 2008. Administrações petistas dominam agora 622 prefeituras, contra as 554 conquistadas anteriormente. Já o PSD, criado apenas em 2011 - após o último pleito municipal - elegeu 492 prefeitos, tornando-se a quarta maior força política, atrás do PMDB (1.014), PSDB (682) e PT.
A influência do PSD pode, inclusive, ser um trunfo para o PSB na busca por um protagonismo nacional. Prefeito de São Paulo e fundador do PSD, Gilberto Kassab já se referiu a Campos como "meu líder" e tem buscado estreitar laços com o pernambucano. Segundo Ricardo Ismael, é provável que os socialistas busquem apoio na recém-criada legenda como forma de superar o caráter regionalista que o partido tem hoje e ganhar mais influência no Sudeste.
- O PSB tem dificuldade de entrar no Sudeste. Já conseguiu entrar em Minas com a eleição do Márcio Lacerda, em Belo Horizonte. Mas precisa do Rio e São Paulo para conseguir espaço para disputar a Presidência - avalia Ismael.
Dos 432 prefeitos eleitos pelo PSB, 262 estão no Nordeste. O partido perde apenas para o PMDB como força política, que elegeu 284 naquela região.
- O partido tem condições de sair da base aliada e formar uma nova coalizão. Tudo vai passar pelo projeto do senador Aécio Neves, principal alternativa a Dilma ou Lula em 2014. O PSB pode até lançar um cabeça de chapa, mas acredito que o governador de Pernambuco ainda não tem cacife para ser candidato à Presidência - aposta Caldas. - O PSB está passando de um partido regional para médio, mas no futuro passará de médio para nacional.
A entrada do partido na disputa presidencial trará ganhos políticos mesmo em caso de derrota, na opinião de Ismael:
- O PSB é do mesmo campo ideológico do PT, de centro-esquerda. Então tenta ocupar um espaço como sucessor no futuro nacional - afirma o cientista político. - O partido tem condições de fazer uma boa votação nacionalmente. Mesmo se perder no primeiro turno, ele sairá mais conhecido.
Se o cenário se confirmar, não será a primeira vez que o PSB apresentará um candidato à Presidência. Em 2002, após se desfiliar do PDT, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho concorreu ao Palácio do Planalto pela legenda. Com 15 milhões de votos, a candidatura não passou para o segundo turno, quando o partido voltou a declarar apoio a Lula, candidato que abraçara nas eleições de 1989, 1994 e 1998. Em 2010, a candidatura presidencial de Ciro Gomes chegou a ser lançada, mas foi retirada, quando o partido decidiu pelo apoio a Dilma. O PSB tem hoje dois cargos no primeiro escalão do governo federal: o ministério da Integração Nacional, ocupado por Fernando Bezerra, e a Secretaria Especial de Portos, cujo titular é José Leônidas Cristino.
Criado em 1945, com o fim do Estado Novo de Getúlio Vargas, o PSB, ainda sob a alcunha de Esquerda Democrática, surgiu como uma força política contrária aos udenistas e comunistas. Fundado por líderes como João Mangabeira, os escritores Rubem Braga e José Lins do Rego, e o historiador Sérgio Buarque de Holanda, o partido defendia um socialismo construído de forma gradual, com ampla liberdade civil e política. Com a promulgação do Ato Institucional n02, foi extinto, sendo refundado apenas em 1985. Com o surgimento de novas siglas, o partido se viu representado inicialmente por apenas um senador na Constituinte, o carioca Jamil Haddad.
- O PSB é um partido muito antigo e tradicional. Não só ele mas todos os partidos de centro-esquerda tiveram que enfrentar o mesmo desafio, o de se popularizar. Surgiram seguindo um modelo partidário dos anos 1940, em que as legendas eram formadas por uma elite intelectual. Quando chegou o PT, um partido de massas, todos sofreram com isso. E até hoje tentam se recuperar - diz Caldas.
Em 1990, com a volta de Miguel Arraes - eleito três vezes governador de Pernambuco e deputado federal mais votado do estado em 2002 - ajudou a ampliar a influência do PSB no Nordeste, mas não garantiu uma atuação nacional à legenda.
Fonte Agencia Globo: http://br.noticias.yahoo.com/crescimento-nas-capitais-abre-caminho-independ%C3%AAncia-psb-161812164.html
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