Roberto Amaral: "Declaração de Michel Temer é golpismo explícito"
Ex-ministro de Lula e próximo da presidente Dilma Rousseff no segundo turno das eleições, Roberto Amaral faz duras críticas à condução da política econômica e do ajuste fiscal empreendido pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy. Além de apontar erros e prever que os rumos da economia "não sugerem bons ventos", o ex-presidente do PSB afirma que a presidente não recebe apoio nem mesmo dos beneficiários do "projeto Levy".
"O governo não recebe o apoio das forças econômicas beneficiárias do ‘projeto Levy’, de uma parte, e de outra tem dificuldade de falar às grandes massas (atingidas em seus direitos pela política recessiva) — de cujo apoio nas ruas depende sua sobrevivência. Este paradoxo precisa ser vencido", afirma Roberto Amaral, que chamou de "golpismo explícito" a declaração do vice Michel Temer de que Dilma não terminaria o mandato se continuasse com os atuais índices de popularidade.
Crítico do PMDB, Amaral é cético quanto ao destino do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, denunciado ao Supremo Tribunal Federal pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. "A questão não é apenas jurídica. O STF é um tribunal que julga direito pelo viés da política", diz, acrescentando ao cenário de incertezas a manipulação da opinião pública pelos meios de comunicação de massa e a blindagem que o peemedebista terá entre seus pares no Congresso para que não deixe o cargo.
Roberto Amaral
Um dos nomes históricos da esquerda brasileira, Amaral não poupa nem mesmo seu partido. "O PSB era um honesto partido de centro-esquerda que renunciou a ser um grande partido de esquerda. Brigou com a história. Pode ser de esquerda um partido que deseja fundir-se com o PPS?", questiona. Segundo o ex-presidente do PSB, os erros da legenda surgiram a partir da eleição de 2014. Ele reconhece que o PSB tem uma dívida com Marina Silva, que substituiu Eduardo Campos como candidata e impediu a aliança com a direita. "Devemos-lhe alguns favores: foi sua firmeza, por exemplo, que impediu que o PSB apoiasse o Caiado (Ronaldo, DEM) em Goiás… Recusou-se na campanha, a, em São Paulo, fazer o jogo do PSDB, jogado pelo PSB".
Confira a entrevista, na íntegra:
Jornal do Brasil - Qual é a opinião do senhor sobre a crise política do governo da presidente Dilma?
Roberto Amaral - É muito grave, pois há uma conjunção de crise econômica e crise política, uma alimentando a outra e, de permeio, o avanço das forças conservadoras, naturalmente em conflito com todo e qualquer governo comprometido com a emergência das massas trabalhadoras. Esse conflito ideológico chega a ser mais contundente do que a crise econômica em si, posto que dela independe. Assim foi em 1954, contra as políticas nacionalistas e trabalhistas de Vargas, assim foi contra o governo popular de Jango. Em ambos os casos se arguia o combate à corrupção. A classe dominante jamais aceitou a política social de Lula; teve de conformar-se com ela em face de sua popularidade. A crise política é o calcanhar de Aquiles do governo Dilma.
Jornal do Brasil - Há erros na política econômica?
Roberto Amaral - Há, evidentes. São erros de concepção ideológica (a teimosia neoliberal) agravados pela sabotagem da Câmara dos Deputados, aumentando os gastos da União. De qualquer forma, a estagnação econômica, sugerindo uma recessão a médio prazo, jamais se revelou competente para sanar os problemas de caixa, nem os juros pornográficos conseguiram conter a inflação, ainda em alta. Ou seja, o ‘projeto Levy’ não sugere bons ventos. A retração tem levado ao óbvio, a saber, a queda da produção, à ausência de investimentos e ao desemprego que levam à queda da produção, da arrecadação, aumentando o déficit, ou seja, realimentando a crise econômica que agrava a crise política, da qual se aproveitam os adversários da estabilidade.
Jornal do Brasil - O senhor acredita que a tese de impeachment tem fôlego para seguir adiante?
Roberto Amaral - De certa forma, o sucesso ou insucesso da impatriótica, ilegal e inconstitucional 'tese de impeachment’ está muito a depender da correlação de forças na sociedade, e isto, por seu turno está a depender do diálogo que a presidente venha a manter, ou não, com as forças populares, com o papel pessoal de Lula e com o papel das forças progressistas de um modo geral, diante da fragilidade da base parlamentar do governo e do monopólio oposicionista dos meios de comunicação de massa. O governo não recebe o apoio das forças econômicas beneficiárias do ‘projeto Levy’, de uma parte, e de outra tem dificuldade de falar às grandes massas (atingidas em seus direitos pela política recessiva) — de cujo apoio nas ruas depende sua sobrevivência. Este paradoxo precisa ser vencido.
Jornal do Brasil - O senhor tem falado com a presidente?
Roberto Amaral - Não. Nossa última conversa foi no curso do segundo turno.
Jornal do Brasil - Eduardo Cunha cairá com as denúncias da Lava Jato?
Roberto Amaral - A questão não é apenas jurídica: o desenvolvimento do processo a ser aberto pelo STF, um Tribunal que julga o direito pelo viés da política. Muito dependerá da opinião pública, de resto manipulada pelos meios de comunicação de massa. Qual será, a esse propósito, a posição de nossa imprensa? Se depender da correlação de forças internas da Câmara Federal, Eduardo Cunha está blindado.
Jornal do Brasil - O que o sr. achou das declarações de Michel Temer, de que Dilma não resiste com os índices de popularidade atuais?
Roberto Amaral - No mínimo preocupantes, embora não sejam surpreendentes para um observador da política. Do que li concluo tratar-se de golpismo explícito, formulado por um evidente beneficiário. Trata-se do vice-presidente da República, ex-coordenador político do governo e presidente do PMDB, que tem a metade do governo Dilma e as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a segunda bancada na Câmara e a maior bancada no Senado. Convenhamos, não é pouca coisa. Eis um indicador da falência da política nacional, que se manifesta na pobreza política e ética daqueles políticos que deveriam desempenhar o papel de estadista. Que fazer? Quem tem um aliado como esse não precisa da oposição nem dos "caiados" nem dos "bolsonaros". Triste Brasil.
Jornal do Brasil - Como o sr. avalia o PSB nacionalmente e aqui no Rio de Janeiro, a partir da saída do deputado federal Glauber Braga para o Psol e Romário dominando o partido?
Roberto Amaral - O PSB renunciou ao PSB, abjurando sua história, seu manifesto, seu programa e a biografia dos seus fundadores e dos que o trouxeram sério e limpo até 2014. A partir da adesão oportunística ao candidato da direita, optou pelo pragmatismo cínico. Nada tem a ver com o socialismo ou com a esquerda brasileira um partido que ostenta em seus quadros um guarda-costas de Bolsonaro e uma deputada que incita o assassinato de índios.
Jornal do Brasil - O sr. apóia a candidatura do Romário à Prefeitura do Rio?
Roberto Amaral - E ele é candidato?
Jornal do Brasil - O partido não é mais de esquerda?
Roberto Amaral - Não. O PSB era um honesto partido de centro-esquerda que renunciou a ser um grande partido de esquerda. Brigou com a história. Pode ser de esquerda um partido que deseja fundir-se com o PPS?
Jornal do Brasil - A presença de Marina Silva no PSB tirou um pouco o foco do partido e das atuais lideranças?
Roberto Amaral - Justiça seja feita, a Marina jamais esteve no PSB; era nossa candidata a vice, numa coligação partidária entre o projeto de Rede e o PSB, e, por uma tragédia, tornou-se nossa candidata à presidência. Mas devemos-lhe alguns favores: foi sua firmeza, por exemplo, que impediu que o PSB apoiasse o Caiado em Goiás… Recusou-se, na campanha, a, em São Paulo, fazer o jogo do PSDB, jogado pelo PSB.
Jornal do Brasil - O sr. participa das conversas pela frente de esquerda no Rio de Janeiro e que tem a participação do Tarso Genro?
Roberto Amaral - Participo de todas as conversas, ações e articulações, desde o primeiro momento, de que resultou a Frente Brasil Popular a ser instalada neste sábado em Belo Horizonte. Tenho o orgulho de dizer que foi eu quem levantou a ideia no Grupo Brasil. E participo de todas as conversas que são levadas a cabo pelo companheiro Tarso Genro, justamente preocupado com a tragédia da esquerda no Rio de Janeiro.
Roberto Amaral: 'Não tenho nenhum respeito ético pelas posições de Aécio'
Roberto Amaral, respeitada liderança política comentou, em entrevista à Rede Brasil Atual, que o aparente recuo de senador mineiro, Aécio Neves, que deu declarações sobre impeachment da presidenta Dilma nesta sexta-feira (28) "faz parte de algum jogo de política menor". “Eu não tenho nenhum respeito ético pelas posições do ex-candidato Aécio”, disse Amaral. O ex-presidente do PSB tem defendido a formação de uma frente popular para unir forças progressistas em defesa da democracia.
Aécio deu declarações ao blog do jornalista Kennedy Alencar, publicada nesta sexta (28). Segundo o tucano “ainda não está claro” haver motivos para o impeachment da presidenta. “Reconheço isso. Mas nada impede que dentro de algum tempo isso ocorra”, afirmou ainda Aécio. Roberto Amaral questiona: “Dizer que não tem motivo, 'ainda'... Quer dizer, ainda vai se procurar? E ele descobriu agora que não tem motivo?”
Roberto Amaral também não economiza críticas ao seu partido, o PSB, que apoiou Aécio no segundo turno em 2014, e volta a dizer que o partido adotou uma postura "oportunista". “Vejo muito mal (o papel do PSB no atual processo político), desde agosto do ano passado, quando ele decidiu não apoiar a Dilma”, diz. “A decisão do PSB de apoiar Aécio foi burra e oportunista.”
Ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula (entre 2003 e 2004), Amaral vem criticando seu partido também pela intenção, hoje adiada, de alguns líderes de se fundir com o PPS, que “completaria a direitização do partido”.
Está programado para 5 de setembro o lançamento da Frente Brasil defendida por Amaral, em Belo Horizonte.
Segue abaixo a entrevista do ex-ministro, Roberto Amaral: Hoje, o senador Aécio Neves parece ter recuado e afirmou que ainda não “ainda está claro” que haja razão jurídica para o impeachment. Como o sr. recebe tal afirmação? Eu não tenho nenhum respeito ético pelas posições do ex-candidato Aécio. Ele assumiu o lado golpista. Ele agora, com esse negócio de dizer que não tem motivo, “ainda”, é uma coisa sem sentido. Tem motivo ou não tem? Dizer que não tem motivo ainda... Quer dizer, ainda vai se procurar? E ele descobriu agora que não tem motivo? E quando ele estava pedindo novas eleições?
Então, não levo a sério, não considero importante nem relevante a declaração dele. Isso faz parte de algum jogo de política menor, e nós temos que nos preocupar com questão política maior. A questão fundamental é o respeito ao processo. Ele está querendo recuperar as tradições da UDN, que toda vez que perdia eleições propunha um golpe de Estado. O que temos que discutir é a voz soberana das urnas.
Como avalia a conjuntura? É fundamental no processo democrático a defesa do mandato da presidente da República, independentemente de ser a Dilma, como era importante garantir a posse e o mandato de Juscelino. O que resta é a regra do processo democrático. Esta é a regra democrática: você disputa, ganha ou perde e vai em frente. Isso é fundamental para a ordem democrática. Isso é fundamental para a economia brasileira.
A economia brasileira, a economia produtiva, a nossa política externa, não podem ficar permanentemente à espera de uma crise, esperar se a crise se agrava, ou se vai amainar. Nós temos que ingressar na normalidade. Já se vão quase oito meses da posse e quase um ano das eleições. As eleições já terminaram. O que estou querendo é que os liberais entendam que o pleito do impeachment ou da convocação de eleições é um pleito golpista. Quando em 1954 ficaram inventando o “mar de lama”, a questão não era o “mar de lama”, que provou-se que era inexistente. A questão era impedir o governo Vargas, e impedir o reajuste do salário mínimo e impedir as estatais que ele estava criando.
A mesma coisa se operou em 1964. O problema era a promessa de reformas de base do Jango, e a direita então inventou que estava defendendo a Constituição, os liberais acreditaram nisso, foram às ruas a favor da queda de Jango, e o primeiro ato dos golpistas foi destruir a Constituição.
Como o sr. vê o desdobramento da crise, com otimismo ou pessimismo? O que estou querendo passar é que a questão vai além da sustentação ou não do mandato da Dilma. Com o mandato dela mantido, temos que enfrentar a ascensão do pensamento de direita; sem o mandato dela, temos que enfrentar a ascensão das forças de direita. É preciso dar sustentação de centro-esquerda ao governo dela. A política se faz com correlação de forças. Se as forças progressistas liberais de esquerda não fortalecerem o governo da Dilma, ela vai ficar nas mãos das forças conservadoras.
Qual sua posição sobre o papel do PSB nesse processo? Vejo muito mal, desde agosto do ano passado, quando ele decidiu não apoiar a Dilma. Ele não entendeu que o projeto Aécio – e está muito claro agora – era um processo de direitização, de redução dos direitos dos trabalhadores e de autoritarismo, que está construindo esse clima de intolerância no Brasil.
O sr. chegou a dizer há alguns meses que o PSB está dominado por oportunistas... É o seguinte: a decisão do PSB de apoiar o Aécio foi uma decisão burra e oportunista. Por que oportunista? Porque o fez pensando que o Aécio ia ganhar as eleições. Então, pegou todo o nosso patrimônio, pegou toda a nossa história, todos os nossos projetos e jogou nessa aventura, pensando que o Aécio ia ser eleito. Só por isso. E foi uma decisão burra porque, diante da crise dos partidos de esquerda – e não precisa explicar, está todo mundo vendo essa crise –, o PSB poderia ser o grande desaguadouro dos quadros de esquerda, progressistas, que estão insatisfeitos com seu partido.
Se Eduardo Campos não tivesse morrido, o PSB poderia ter sido esse desaguadouro? É o mais provável, mas não estou totalmente seguro disso, porque tudo dependeria de como seria o final de campanha, como seria no segundo turno, como seria a posição do partido. Ele morreu no inicio do primeiro turno.
O sr. também já criticou muito a eventual fusão do PSB com o PPS, que foi adiada... Foi adiada porque houve uma reação da militância, mas a expressão é correta: foi adiada. Não quer dizer que foi de todo afastada. Isso completaria a direitização do partido.
Nesse quadro, o sr. teria condições de se manter no PSB? O meu papel no PSB sempre foi de puxar o partido pela esquerda. Quando decidi com Antônio Houaiss e o Jamil Haddad refundar o partido, nós pensávamos em um partido socialista. A minha posição não mudou. Eu continuo achando que o Brasil precisa de um partido socialista e coerente, e vou continuar lutando por isso.
Fusão entre PSB e PPS caminha para aprovação em convenção
Em reunião, nesta terça-feira (12), os presidentes dos diretórios estaduais do Partido Socialista Brasileiro aprovaram, em sua maioria, a fusão da legenda com o PPS. O encontro, convocado pelo presidente do PSB, Carlos Siqueira, foi realizado na sede da legenda em Brasília e contou com a presença de membros do Conselho de Presidentes Estaduais do partido que aprovaram, em sua maioria, a fusão.
Sob forte disputa interna, o PSB vai se distanciando cada vez mais do campo progressista e se encontra com pouca perspectiva de retomada do histórico ideológico da sigla, afastando-se publicamente do campo socialista e aliando-se à direita conservadora e oposicionista na ânsia de ocupar mais espaços de poder visando as eleições.
Um dos fundadores e ex-presidente nacional do do PSB, Roberto Amaral, já havia criticado a fusão, dizendo que sua restrição é ideológica, política e estratégica. “Eu vejo como um suicídio político e uma burrice estratégica. Suicídio político porque o PSB assassina sua história, rasga o seu programa e ultraja a biografia dos seus fundadores. Essa fusão é o avanço na opção pela direita e é incompatível com a história de um partido da esquerda democrática e um partido que ainda se diz socialista”, disse ele.
Amaral também discorre sobre o histórico do PPS. “É um partido que nasceu da traição. Ele nasceu da traição de Roberto Freire ao partido ao qual pertencia, que era o PCB. É um partido que nasceu para destruir outro e desde que nasceu vem militando na direita. Hoje o PPS está à direita do PSDB”, afirmou.
O atual presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse que o processo de fusão seguirá adiante independentemente das críticas. "É a opinião dele [Roberto Amaral], mas, certamente, não é a opinião da maioria do partido. Vamos decidir pela maioria", tergiversa.
O PSB informou que a decisão final será na convenção nacional do partido marcada para 20 de junho, em Brasília.
"Fusão do PSB e PPS é moralmente inaceitável", afirma Roberto Amaral
O ex-presidente nacional e fundador do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Roberto Amaral, qualificou como "moralmente inaceitável" a fusão em curso entre seu partido e o PPS. Para ele, a junção entre os dois partidos é "um ponto final" para o PSB como força de esquerda.
Amaral encaminhou uma nota ao jornal Folha de Pernambuco, enfatizando que o PSB em nada lembra a legenda que já teve nomes de peso ligados à esquerda, como Miguel Arraes e Pelópidas Silveira. “Num ato de dignidade histórico-política (não sei se é pedir muito da honestidade ideológica dos atuais dirigentes), o Congresso Extraordinário, apressadamente convocado, como observou o deputado Tadeu Alencar na reunião da bancada, poderia, numa homenagem a João Mangabeira, Miguel Arraes e Jamil Haddad, raspar da sigla o ’S’ de socialismo. Poderia ser apenas ‘P40′, um nada e um número, como muitos de seus dirigentes atuais já pleiteiam há tempos”, salientou Amaral.
Segundo o ex-presidente do partido, a “fusão é moralmente inaceitável, é o ponto final do PSB, formal e politicamente, é o sepultamento do socialismo, do nacionalismo e da prática de uma política de esquerda. No entanto, é processo natural no PSB de hoje que nada tem a ver com o PSB de seus fundadores, que nada tem a ver com o PSB de 1990 no qual recebi Miguel Arraes”, afirmou Amaral em nota.
E completa: “O PSB que, já abrigou Pelópidas da Silveira e Francisco Julião, é hoje o partido do Pastor Eurico e do deputado Heráclito Fortes e da família Bornhausen. E será logo mais o partido de Roberto Freire. Por tudo isso, a fusão é tristemente lógica, pois dá sequência aos esforços atuais de jogar a história partidária na lata de lixo e abdicar de seu futuro. É obra dos que mudam para ganhar, e transformam a política em mero jogo estatístico, ou instrumento de mesquinhas realizações pessoais. É a miséria da política que espanta os jovens”.
O atual presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse que o processo de fusão seguirá adiante independentemente das críticas. "É a opinião dele [Roberto Amaral], mas, certamente, não é a opinião da maioria do partido. Vamos decidir pela maioria. É natural ter uma opinião contrária, mas a maioria decidiu pela fusão", destacou em entrevista ao jornal.
Ex-ministro e ex-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral considera que a estratégia de destruição do PT levada a cabo pela oposição tem como objetivo maior barrar uma nova candidatura de ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. “É uma tolice discutir se era elite branca ou só elite. Existe descontentamento, e a utilização desse descontentamento tem um fim, que é impedir uma eventual candidatura do Lula em 2018”, avalia Amaral, em entrevista ao Estado.
“Para atingir o Lula, é fundamental destruir o PT. O problema grave, do meu ponto de vista, é que a destruição do PT está levando consigo a destruição de forças progressistas e do campo da esquerda, que estão sendo envolvidas no mesmo balaio”, adverte.
Voz dissidente no PSB ao apoio ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), Amaral iniciou a articulação de uma frente nacional popular, que reúne intelectuais, movimentos sociais, políticos com ou sem mandato e empresários para enfrentar a “falência da reflexão da esquerda”. “A esquerda deixou de refletir, de ter estratégia, de ter projeto. Eu não sei hoje qual o projeto da esquerda brasileira.”
A frente se sustenta em quatro pilares: a democracia, a soberania do País, os direitos trabalhistas e a redução das desigualdades em geral.
A frente não se pauta pelo calendário eleitoral, mas intensificou-se diante do momento de mobilização de setores liberais e dos riscos oferecidos pelo enfraquecimento do governo Dilma Rousseff. “O mais grave é o fato de vermos o Congresso desmontando uma a uma as conquistas sociais que obtivemos (desde 2003) e impondo uma pauta conservadora, tanto do ponto de vista econômico como dos valores sociais.”
Amaral também critica o próprio partido. Para ele, é “inconcebível” o apoio de parlamentares do PSB ao projeto que regulariza a terceirização da mão de obra, ao mesmo tempo em que setores no partido querem se reaproximar do governo o partido rompeu com Dilma em 2013 para lançar a candidatura de Eduardo Campos ao Planalto. “A discussão não é se aproximar ou não do PT, isso é muito pouco. O problema é se aproximar cada vez mais das forças conservadoras. Ainda que o partido sobreviva materialmente, ele rasgou seu programa, negando suas origens e a justificativa de sua existência. O PSB resolveu mudar para poder ganhar, e não ganhar para poder mudar.”
A oposição avisou hoje que também quer ouvir o ministro Aloizio Mercadante (PT-SP) sobre a indenização de R$ 280 mil paga em março ao vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, referente à demissão dele da Alcântara Cyclone Space (ACS), uma sociedade dos governos do Brasil e da Ucrânia para gerir o principal programa espacial brasileiro.
O PPS anunciou que vai apresentar requerimento de convocação de Mercadante e Amaral para audiência conjunta nas comissões de Ciência e Tecnologia e de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. Amaral recebeu esse dinheiro porque conseguiu ser oficialmente "demitido" do cargo.
No mesmo dia da demissão, Amaral foi nomeado para integrar os conselhos da Itaipu Binacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujos salários somam cerca de R$ 25 mil. "O pagamento dessa indenização é, no mínimo, uma atitude indecente", disse o deputado Rubens Bueno (PR), líder do PPS na Câmara.
O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, recebeu pelo menos R$ 280 mil dos cofres públicos ao sair em março da diretoria-geral da Alcântara Cyclone Space (ACS), uma sociedade dos governos do Brasil e da Ucrânia para gerir o principal programa espacial brasileiro, que passa por grave crise financeira. Amaral recebeu esse dinheiro porque conseguiu ser oficialmente "demitido" do cargo.
Em entrevista gravada à reportagem, o dirigente do PSB afirmou que foi ele quem decidiu sair da direção da ACS, ainda durante as eleições 2010. "Eu quis. Pedi e acertei com a presidente Dilma antes do processo eleitoral", afirmou. Ele contou, porém, que negociou com o governo federal para ser demitido. "Eu pedi para ser demitido, todo mundo faz isso. Não posso ser crucificado por isso", afirmou.
A receita da empresa é 100% de origem pública. Por ser uma parceria internacional, seus funcionários são contratados pelas regras da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e têm carteira assinada. Ao ser atendido no desejo de ser demitido, o dirigente do PSB e ex-ministro de Ciência e Tecnologia fez um grande negócio, porque teve direito às indenizações de demissões sem justa causa - os R$ 280 mil foram pagos pela ACS incluindo, por exemplo, os 40% de multa sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Esses valores ainda não incluem o saldo do FGTS que Amaral pôde sacar por ter sido demitido.
No mesmo dia da demissão, Amaral foi nomeado para integrar os conselhos da Itaipu Binacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujos salários somam cerca de R$ 25 mil. A chefe de gabinete de Amaral na ACS, Patricia Patriota, filha do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), também conseguiu ser demitida e recebeu cerca de R$ 55 mil.
A assessoria da Presidência disse que não confirma a versão de Amaral sobre o acordo para ser demitido. Informou que a Presidência decidiu por sua saída e que ele "foi exonerado por ter cumprido uma missão e ter encerrado um ciclo na empresa".
A ACS, vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, está paralisada. Criada em 2007, já recebeu R$ 218 milhões do governo brasileiro e R$ 98 milhões da Ucrânia num projeto orçado em R$ 1 bilhão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Em tempos de crise dos sonhos, ideais e projetos da esquerda, se faz necessário repensar todas as bases que construíram estes valores. É preciso enfrentar estes dilemas e refundar o ideal socialista e democrático.
Esse blog pretende dar uma contribuição nesse processo, discutindo abertamente e sem censura todas estas questões.